Saturday, March 25, 2006

A tampa

Faço parte dessa geração da tampa! Ou melhor, da geração da lata! Há ainda os que lhe preferem chamar geração do gás, ou da gasosa. Gás na tábua!

Nos anos 80 era frequente um rapaz levar tampa. Não para oferecer à namorada ou à jovenzinha amada! Uma tampa significava “chegar para o lado”, “sair de jogo”, “arrumar as botas”.

Levava a melhor quem tivesse mais lata. Mas com mais lata, havia a possibilidade de levar mais tampa!

Ter lata dava jeito. Fosse ela R5 ou Fiat 600. A lata era proporcional à conquista. As borbulhas é que não!

Que bom era viver no tempo em que o amor exigia muita lata e muito gás, para não levar tampa!

Sinto Vitória chegar!

Vitória é nome de rainha. É nome de cidade. De clube de futebol da terra do nosso primeiro, do conquistador. É nome de terra abençoada pelo Espírito Santo. É nome de mulher!

Vitória é nome de resultado, paixão ao rubro, adversário a temer! De afecto e prazer! Siiiiim! Ui….! Consegui!

Sentir Vitória chegar é privilégio de Don! É um dom! É o sentimento elevado à categoria de foz do desejo. A chegada. O despejar de toda a emoção!

Já sinto Vitória chegar!

O tempo de Diana

Não a conheço.

Minto.

Sim, conheço-a muito bem!

Diana vive intensamente o seu tempo! É uma mulher do seu tempo. Detesta os cinzentos. Quer o preto no branco. Adora os rios que correm para o mar. Amar é um eu que se transforma em nós. Nós entrelaçados são labirinto de avanços e recuos. Avança para o Oriente, com o Ocidente na bagagem. A última paragem fica a Norte, ou será a morte?

É vida, água, terra, chão, fogo, calor, paixão. Amor! Sem sexo perde fulgor!
Vive próximo dos doces pensamentos em palavras azedas.
Conquista, inicia rupturas!
Dura pura, mas mole pode ser se alguém a merecer!

Afinal de contas, o que ela quer é viver!

Tuc Tuc
- És tu, Diana?
- .....................
- Podes entrar......na minha vida!

Friday, March 24, 2006

A Noite. Tempo e Palavras!

A noite será sempre o recanto predilecto do dia para o doce ou amargo amadurecer dos sonhos. Tristes ou alegres paixões, ilusões consoladas num instante. Tudo se esvai como se um rio passasse ali tão perto e nos levasse a emoção. E aí sentimos um pesar enorme por não sermos donos dos nossos sonhos e dos nossos pesadelos.

Foi naquela noite de um Agosto quente, um raio de insónia a perturbar-lhe o sossego, que Diana percebeu a distância que ia de ontem a hoje, de um “sim” a um “não” – tempo e palavras!

A barreira mais difícil de ultrapassar é a do ser ou não ser. Do ser capaz, do ser compreendido, do ser fiel, do ser amigo ou amante. Do não ser capaz (IN – capaz), do não ser compreendido (IN – compreendido), do não ser fiel (IN – fiel), do não ser amigo (IN – imigo), do não ser amante (IN – feliz).
Quantas vezes ser “IN” ajuda. Não aqui. Ser “IN” é andar com o mundo às costas, às avessas. Diana tinha disso uma noção pouco menos que exacta.

Diana nunca se esqueceu que, de ontem a hoje, tanto e tão pouco nos separa o tempo. Ele é o remédio de muitos males, tónico para lisonjeiros prazeres. Ele lhe indicou a distância que os separava – o tempo e palavras!

Mas todas as distâncias, Diana, só serão ultrapassadas se fugires da cidade de todos os dias, destas ruas de todos os dias, das pessoas de todos os dias.
Será esse tempo que te vai permitir descobrir uma personalidade, a de quem nasceu com asas para voar mais alto que o Sol e que, voando no pensamento, ninguém ousa segurar.

Não transformes o teu sonho num manto de saudades sob o espaço. Agora, Diana, as tuas mãos estão quietas, adormecidas. Mas se a distância se anular, terás forças para rasgar o infinito, para cumprir tudo o que estiver escrito, para te tornares um misto de ser e de hoje.

E foi na angústia desta breve tortura, levantando os pés do chão, que Diana sentiu uma dor igual à dor do seu peito, fechou a boca e acordou.

Tinha sido apenas mais um sonho. Tempo e palavras! Nada mais!